Siddharta sentiu-se angustiado com um problema que todos sentem. O problema é: eu estou falando para uma platéia de pessoas condenadas à morte. Todos aqui tem uma doença terminal, que chama-se vida. Termina inevitavelmente em velhice, doença e morte. Nós tentamos fingir que não é assim, tentamos não pensar no assunto.
O que aconteceu com Siddharta foi que isto pareceu-lhe extremamente importante. Esse assunto tirava todo o sentido da vida. “De que adianta eu ser príncipe, ter concubinas, esposas, filhos, luxo, riquezas, vou ser Rei depois, mas, de que adianta tudo isso se essa historia toda termina com uma morte abjeta, esse corpo que a gente tem que sustenta a vida simplesmente apodrece’?
Vocês podem evitar que os vermes comam suas mãos, sua carne, sendo cremados. Aí a gente pega as cinzas e espalha. É tudo o que se pode fazer. Em qualquer das duas hipóteses, nós viramos adubo. Então, Siddharta disse: “Eu! Eu, Príncipe, vou virar cinza! Vou adoecer, envelhecer e morrer. Então, que sentido tem a vida?”
Isto foi o problema que angustiou Siddharta. Deveria angustiar todos os homens. Na verdade, só não angustia quem não pensa e à medida que a humanidade pensou, ela tratou de achar alguma solução para isso.
As soluções, normalmente se expressavam sob a forma de alguma crença, algum sistema, em que todas as pessoas começavam a acreditar ou eram convencidas pela sociedade e o entorno a acreditar. A civilização antiga mais conhecida é a egípcia. Temos 3.000 anos de história antes de Cristo na civilização egípcia e eles deduziram que a coisa seria conservar o corpo. Então pega-se o corpo, tira-se as vísceras, enche-se de alcatrão, enrola em bandagens, coloca junto com coisas para auxiliar a vida do outro lado, comida, carruagens, espadas, etc, quanto mais rico o homem mais ele levava. No início levava seus empregados também para ajuda-lo do outro lado. Então, não era um bom negócio você ser um empregado do Faraó, pois se o faraó morresse, você seria enterrado vivo, junto com o Faraó.
Mas assim, eles estavam garantindo uma vida no “pós-morte”, com o mesmo corpo. Tá certo que o corpo das múmias que a gente olha não está servindo pra grande coisa, mas, era uma “solução”.
Depois fomos partindo pra outras soluções, idéias sempre em caráter “não morte”. Por exemplo: eu posso quem sabe ressuscitar? Então, a promessa é: se você morrer dentro de determinadas condições, então você vai ressuscitar depois com um corpo novinho em folha. E aí, viveria numa terra perfeita pra sempre.
Os gregos gostavam muito de fazer o quê? Conversar na praça de cidades que se chamava “Ágora”. Então, os gregos pensavam, como seria o nosso Céu, depois da morte? Então os homens bons iriam para o “ Hades”, que era a terra dos mortos, os bons para um lugar que era uma ilha paradisíaca, onde as regras eram de que a comida viria pronta, caía das árvores, as roupas também, você não precisava trabalhar para fazer nada. Tinham regatos límpidos, temperatura maravilhosa e você podia conversar sobre filosofia. Não é um céu para gregos? Conversar , debater.
Os muçulmanos nasceram entre os árabes, os descendentes de Ismael, filho bastardo de Agar, escrava de Abraão, expulsa por Sara, quando Issac nasceu. Então, é uma história filha do ciúme, e os descendentes de Ismael, os árabes e os descendentes de Issac, os israelitas, estão brigando até hoje. Nós tínhamos que conversar com Sara, voltar no passado e dizer: “Sara, não faz isso”! Mas ela pediu a Abraão que expulsasse Agar e Ismael de sua casa. Os árabes estavam no deserto e acabaram criando uma sociedade que tinha um indivíduo que era o privilegiado total. O sultão. O sultão tinha uma coisa que todos os homens queriam, e ninguém tinha: um Harém! Então, pronto, resolvido: no céu islâmico, cada homem que morre bem, vai pra lá e ganha 72 mulheres! As huris, bonitas, sempre jovens, e não trazem sogras.
E assim vamos percorrendo a história. Os vickings: faziam guerras, eram conquistadores, como na tirinha do Hagar, o horrível. Então eles têm um céu especial, chama-se “Valhalla”. Se você for um homem valente, vai pro “Valhalla” e lá você vai poder guerrear e saquear para sempre.
Tão vendo como são os céus? A gente ri não é? A gente ri das crenças e culturas “dos outros”. Elas nos parecem ridículas. As nossas não.
(continua)
radio Atlantec Sea
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Céus dos Outros
Siddharta sentiu-se angustiado com um problema que todos sentem. O problema é: eu estou falando para uma platéia de pessoas condenadas à morte. Todos aqui tem uma doença terminal, que chama-se vida. Termina inevitavelmente em velhice, doença e morte. Nós tentamos fingir que não é assim, tentamos não pensar no assunto.
O que aconteceu com Siddharta foi que isto pareceu-lhe extremamente importante. Esse assunto tirava todo o sentido da vida. “De que adianta eu ser príncipe, ter concubinas, esposas, filhos, luxo, riquezas, vou ser Rei depois, mas, de que adianta tudo isso se essa historia toda termina com uma morte abjeta, esse corpo que a gente tem que sustenta a vida simplesmente apodrece’?
Vocês podem evitar que os vermes comam suas mãos, sua carne, sendo cremados. Aí a gente pega as cinzas e espalha. É tudo o que se pode fazer. Em qualquer das duas hipóteses, nós viramos adubo. Então, Siddharta disse: “Eu! Eu, Príncipe, vou virar cinza! Vou adoecer, envelhecer e morrer. Então, que sentido tem a vida?”
Isto foi o problema que angustiou Siddharta. Deveria angustiar todos os homens. Na verdade, só não angustia quem não pensa e à medida que a humanidade pensou, ela tratou de achar alguma solução para isso.
As soluções, normalmente se expressavam sob a forma de alguma crença, algum sistema, em que todas as pessoas começavam a acreditar ou eram convencidas pela sociedade e o entorno a acreditar. A civilização antiga mais conhecida é a egípcia. Temos 3.000 anos de história antes de Cristo na civilização egípcia e eles deduziram que a coisa seria conservar o corpo. Então pega-se o corpo, tira-se as vísceras, enche-se de alcatrão, enrola em bandagens, coloca junto com coisas para auxiliar a vida do outro lado, comida, carruagens, espadas, etc, quanto mais rico o homem mais ele levava. No início levava seus empregados também para ajuda-lo do outro lado. Então, não era um bom negócio você ser um empregado do Faraó, pois se o faraó morresse, você seria enterrado vivo, junto com o Faraó.
Mas assim, eles estavam garantindo uma vida no “pós-morte”, com o mesmo corpo. Tá certo que o corpo das múmias que a gente olha não está servindo pra grande coisa, mas, era uma “solução”.
Depois fomos partindo pra outras soluções, idéias sempre em caráter “não morte”. Por exemplo: eu posso quem sabe ressuscitar? Então, a promessa é: se você morrer dentro de determinadas condições, então você vai ressuscitar depois com um corpo novinho em folha. E aí, viveria numa terra perfeita pra sempre.
Os gregos gostavam muito de fazer o quê? Conversar na praça de cidades que se chamava “Ágora”. Então, os gregos pensavam, como seria o nosso Céu, depois da morte? Então os homens bons iriam para o “ Hades”, que era a terra dos mortos, os bons para um lugar que era uma ilha paradisíaca, onde as regras eram de que a comida viria pronta, caía das árvores, as roupas também, você não precisava trabalhar para fazer nada. Tinham regatos límpidos, temperatura maravilhosa e você podia conversar sobre filosofia. Não é um céu para gregos? Conversar , debater.
Os muçulmanos nasceram entre os árabes, os descendentes de Ismael, filho bastardo de Agar, escrava de Abraão, expulsa por Sara, quando Issac nasceu. Então, é uma história filha do ciúme, e os descendentes de Ismael, os árabes e os descendentes de Issac, os israelitas, estão brigando até hoje. Nós tínhamos que conversar com Sara, voltar no passado e dizer: “Sara, não faz isso”! Mas ela pediu a Abraão que expulsasse Agar e Ismael de sua casa. Os árabes estavam no deserto e acabaram criando uma sociedade que tinha um indivíduo que era o privilegiado total. O sultão. O sultão tinha uma coisa que todos os homens queriam, e ninguém tinha: um Harém! Então, pronto, resolvido: no céu islâmico, cada homem que morre bem, vai pra lá e ganha 72 mulheres! As huris, bonitas, sempre jovens, e não trazem sogras.
E assim vamos percorrendo a história. Os vickings: faziam guerras, eram conquistadores, como na tirinha do Hagar, o horrível. Então eles têm um céu especial, chama-se “Valhalla”. Se você for um homem valente, vai pro “Valhalla” e lá você vai poder guerrear e saquear para sempre.
Tão vendo como são os céus? A gente ri não é? A gente ri das crenças e culturas “dos outros”. Elas nos parecem ridículas. As nossas não.
(continua)
segunda-feira, 13 de maio de 2013
ACREDITE
Acredite! Nossa visão do mundo é muito limitada. Mesmo nossos sonhos mais longínquos não nos permitem ir mais além quando nosso eu está ferido. Quando tudo vai mal, quando não conseguimos acrescentar uma gota sequer de solução aos nossos problemas, começamos a ver o mundo como se tudo fosse cinza, como se tivéssemos o poder de ir apagando toda a beleza que está espalhada à nossa volta. A questão nem é ser negativo, pois uma pessoa negativa o será sempre, mas é de ir deixando aos poucos de acreditar que algo possa ser mudado, simplesmente porque o tempo é interminável quando sofremos ou esperamos alguma coisa que tarda a chegar, ou ainda quando tomamos as dores dos outros acompanhando o movimento do mundo. Mas mesmo quando tudo estiver cinza, quando as possibilidades de saída te parecerem como muros altos e instransponíveis, continue acreditando! Não deixe a peteca cair! Eu garanto que enquanto você se mantiver em movimento para construir alguma coisa, a esperança vai estar no seu caminho como uma vela acesa iluminando sua passagem. As esperanças só morrem quando morremos em nós, quando deixamos de acreditar que a vida é esse monte de vivências às vezes contraditórias, doloridas como ganhar dinheiro na internet e belas ao mesmo tempo. Jamais permita que a tristeza tenha símbolo do seu nome! Que ela venha quando não puder evitá-la, mas que fique justo o tempo necessário para ensinar alguma coisa. Pare um pouquinho e olhe a natureza: ela nunca desiste! As estrelas continuam brilhando apesar dos vendavais que agitam as nuvens. A solidão às vezes é benéfica, quando nos faz refletir sobre nosso eu e nossas razões de vida. Mas não deve ser uma companheira inseparável que nos isola do mundo. Há mãos estendidas na nossa direção. Sempre há! Só não vemos quando olhamos pra trás ou quando fechamos os olhos. Mesmo quando não acreditamos em mais nada, Deus continua acreditando em nós. E Ele renova nossas forças, nos sustenta, nos mantém de pé, ainda se nossos joelhos se dobram e nos sentimos incapazes de continuar. O importante é continuar essa aventura da vida, sem baixar os braços, sem baixar a cabeça. Temos todo o direito de cair, mas temos o dever de resistir. Ainda que a lua se consuma e o sol desapareça, que o infinito se desfaça e a terra se perca, há esperança para cada um de nós. Eu acredito! (Letícia Thompson)
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